Wednesday, March 12, 2008

homeless dreams

Quase morto, penso que estará o homem que exactamente a três passos de mim jaz no chão.
O sol da manhã que lhe serve de manto, dá-lhe o conforto e o pacote de tinto ao lado abonou o cansaço. Questiono-me no que aquele homem sonha e se sonha. Se sonharão as pessoas que dormem com almofadas de restos de cartão. Reparo que já me encontro ali há uns pares de minutos. Move-se então num gemido surdo, como se de uma queixa se tratasse, vira-se para outro lado. Talvez incomodado pela luz, ou pela vergonha de ter todas as camas de pedra que a cidade lhe der.
Injusto.

i am you

2 comments:

Susana said...

Sonharão concerteza. Por vezes é apenas o que lhes resta.

Beijo

l&f said...

Zé Ninguém
Garotos Podres

Composição: Garotos Podres

Nasceu da miséia
E se sente o cheiro daí
Se encheu de cachaça e saiu por ai
Não trabalha mas também não explora
Não compreender multidões contando horas
Na praça demonstra a sua fé
Vabando satisfeito
E aplaudindo com os pés

Olhando pro sol
Olhando pra chuva
Enlouquecendo no meio da rua
Zé não precisa tomar banho pra se manter limpo
Zé nunca foi latifundiário
Zé nunca foi patrão
Zé nunca foi nenhum tipo de ladrão

Sob o manto negro da noite
Deitado no banco da praça
Zombando das estrelas
Que insistem em ficar acesas
Um dia Zé simplesmente
Cansou-se de resistir
E agora jaz um corpo
Despedaçado na linha do trem

Um corpo de um cara qualquer
Um corpo de um Zé ninguém

Esta é a história de Zé ninguém
Na porta dos bares
À cama de cimento
Zé ninguém não é escremento